Eu Conheço Alguém Que Morreu de Tanto Amar!

Eu te amo...

Mas, melhor do que eu possa querer amar você, Deus te ama ainda de uma maneira muito melhor do que a minha, pois te ama + do que o amor que eu, pessoalmente possa crer ser o + perfeito!

Ele entregou Seu Filho a ti e a mim por amor, e para isso, se entregou, morrendo por todos os nossos pecados, grandes e pequenos.

Você não precisa de + nenhum acessório para querer a Ele, em sua vida:basta reconhecer que,como todo ser humano,necessita desse amor que Ele lhe ofertou,na cruz.

E, a partir desta simples atitude,você será como eu sou: amada com um amor + do que perfeito!


Um pouquinho de mim para ti...

terça-feira, 13 de abril de 2010


A um senhor

Às vezes o senhor me chamava para seu secretário,e isso me enchia de orgulho. Eu pequeno,o senhor tão grande-maior que um homem comum aos olhos de qualquer menino. Tudo no lugar era pequeno e doméstico,e o senhor,sim,era grande-começa que me acostumei a vê-lo montado,no ritmo do galope ou trote de animais tão de estimação que eram considerados jóias de família,e homem montado,para o menino que mal chegava à crina do cavalo,tinha dimensão de estátua. E por outros motivos: força,trabalho,energia,até coléra,eram tudo grandezas. Então com a pena mallat arranhando o papel,escrevendo a carta que o senhor ditava,ou redigindo-a na trilha das recomendações,eu crescia por dentro,via-me necessário,participante. Mais tarde percebi que o senhor,com suas letras,aprendidas menos numa semana de escola do que na largueza da vida,redigia muito melhor do que eu,apenas queria dar-me o gosto de imaginar que lhe prestava serviço.
Agora,como então,estou escrevendo carta;é para o senhor mesmo,a pedido de ninguém; me pedi. E dá-se isso: passado tanto tempo que não nos vemos,e tendo eu crescido o crescimento natural dos homens,é como se as peripécias desse período não se houvessem desenrolado,e me vejo aquele garoto que o achava maior que os outros homens(não era só pelo vulto alteado na sela,era ainda o tamanho especial da imagem interna). Não cresci,em comparação com o senhor. Tenho a idade que o senhor tinha quando me parecia velho -velho feito de baraúnas e nervos,em todo o caso,velho. E sinto que não alcançarei sua dimensão. Parou o tempo de crescer; muitos outros tempos pararam,nós mesmos estamos parados um diante do outro. Para o resto do mundo,o senhor está longe,inexistente; ninguém mais o lembra,salvo três,quatro pesoas. Mas eu me sento a seu lado e observo,estudo,confiro sua identidade,seu porte; é o senhor mesmo,não mudou nada.
Talvez até se mostre mais completo,como se os traços raspados,a simplificação extrema do semblante revelassem melhor a essência da pessoa,limpando-a do que é mera repetição de outras. Tudo ficou reduzido ao mínimo indestrutível,à relação calada de dois seres,sem interferências de espaço e tempo. O senhor já não está a cavalo,de bota e espora,não tem mais no bolso aquele relógio que marcava a hora de campear. Vejo-o distante de cuidados,de parentes,da lavoura,da tropa,do gado,dos remédios da velhice. Agora o senhor é apenas o senhor mesmo,no que tem de único a criatura no mundo. E lhe escrevo esta carta com escrevia as antigas(era na mesa de jantar,defronte ao pátio ajardinado).
Para lhe agradecer alguma coisa que não foi agradecida na hora,e ficou como presente dado a quem não merecia? É melhor que não se agradeça,evitando diminuir ou pagar o sem-preço. Para me lembrar ao senhor? Para lembrá-lo a mim? Nosso entendimento se tornou tão fácil que dispensa a operação da lembrança. Escrevo-lhe talvez sugestionado porque alguns escolheram um dia para viver mais perto de outros e abraçá-los com ternura diversa? Mas esses abraçam fisicamente alguém em determinada casa,levam presentes,cumprem o ritual,e no nosso caso,isso não é possível.
Não tenho nada de urgente ou especial para lhe contar. Nada a pedir ou a dar,mesmo porque o senhor atingiu a sublime despossuição e desnecessidade de tudo. É que muitas cartas,das mais importantes,se escrevem sem motivo ou interesse imediato,são postas num correio absurdo,que as entrega à sua maneira e assim são respondidas e se estabelece a correspondência infinita. Mas reparo que escrevi demais. O senhor recomendava ao menino: o essencial em duas palavras. Não aprendi a lição. Desculpe,e me deixe pôr a mão em seu ombro,carinhosamente.

(Carlos Drummond de Andrade)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Espera uma carta

Agora sei porque não vieste,depois de tanto e tanto te esperar. Cheguei a supor que não existisses. Imaginei,às vezes,que foras ter a outra porta,e alguém se beneficiava de ti. Era o equívoco mais consolador,afinal não se perderia a mensagem. Eu indagava os rostos,pesquisava neles a furtiva iluminação,o traço de beatitude,que indicasse conhecimento do teu segredo. Não distinguia bem,as pessoas se afastavam ou escondiam tão finamente tua posse que a dúvida ficava enrodilhada à minha esquerda. O desengano,à direita. E não havia combate entre eles. Coexistiam,mais a cabeçuda esperança.
Todas as manhãs te aguardava. Ao meio-dia já era certo que não vinhas. O resto do dia era neutro. Restava amanhã. E outro amanhã. E depois. Repousava,aos domingos,desta expectação sem limites. Via-te aparecer em sonho,e fechava os olhos como quem soubesse que não te merecia,ou quisesse retardar o instante de comunicação. Esperar era quase receber. Cismava que te recebera havia longos anos,mas era menino e sem condições de avaliar-te,ou vieras em código,e eu,sem possuir a chave,me quedava mirando-te e remirando-te como à estrela intocável.
Muitas vezes recebi durante esse prazo. Não se confundiam contigo. Traziam palavras boas ou más,indiferentes,quaisquer. E o receio de que entre elas rolasses perdida,fosses considerada insignificante? Desprezada,como impresso de propaganda?
As dádivas que devias trazer-me,quais seriam? Nunca imaginei ao certo o que de grande me reservavas. Quem sabe se a riqueza,de que eu tinha medo,mas revestida de doçura e imaginação,a resumir os prazeres do despojamento? Ou a glória espiritual,sem seus gêmeos,a jactância e o orgulho? Ou o amor-e esta só palavra me fazia curvar a cabeça,ao peso de sua magnificência. Eu não escolhia nem hesitava. O dom seria perfeito,sem proporção com o ente gratificado. E infinito,a envolver minha finitude.
Mas agora sei porque não vieste nem virás. Estavas entre inúmeras companheiras,jogadas em sacos espessos,por sua vez afundados num subterrâneo. E dizer que todos os dias passei por tuas proximidades,até mesmo em cima de ti,sem discernir tua pulsação. Servidores infiéis ou cansados foram acumulando debaixo do chão o monte de notícias,lamentos,beijos,ameaças,faturas,ordens,saudades,sobre o qual os caminhões passavam,passavam os governos e suas reformas. Escondida,esmagada no monte,sem sombra de movimento,lá te deixaste jazer,enquanto que eu conjecturava mil formas de extravio e omissão. Cheguei a desconfiar de ti,a crer que zombavas de minha urgência,distraindo-te por itinerários loucos. Suspeitei que te recusavas,quase desejei que fogo ou água te liquidassem,já que te esquivavas à tua missão.
E foi o que aconteceu,sem dúvida. A umidade e os ratos de esgoto te consumiram. Restam -se restarem-fragmentos que nada contam ou explicam,senão que uma carta maravilhosa,esperada desde a eternidade,por mim ou por outro qualquer homem igual a mim, foi escrita em alguma parte do mundo e não chegou a destino,porque o Correio a jogou fora,entre trezentas mil ou trezentos milhões de cartas.

(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 11 de abril de 2010

Amar

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.


(Carlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, 17 de março de 2010


Motivo



Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.


Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
-não sei,não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
-mais nada.



Cecília Meireles

Interrogação


Sou um ponto de interrogação...
Tudo em mim o é:
Meu pensamento,
Minha imaginação,
Meus sonhos,
Meus questionamentos,
Minha esperança,
Meu coração...
Meu ir? É um senão...
E,por vezes,meu não sem razão é minha solidão.
Vislumbro a penumbra
Que acompanha a minha sombra
E o que vejo?
Uma pergunta de interrogação...
Sou um ponto no meio de tantos outros pontos
A interrogar o que estará diante de mim...
A perguntar-se sobre o que não tem resposta.
Uma porta entreaberta...
Ou uma janela fechada?
Ambos são semiverdades;
Ou seja,são verdades paralelas
Em meio a tantas verdades
Pois a verdade verdadeira é uma porta
E janela que se abrem.
Sou um ponto de interrogação
A permitir-se o privilégio da dúvida.
Prefiro isso a ter de aceitar
A perversidade inócua do silêncio absoluto
Em sua incógnita sem fim...
A pergunta é ambivalente,
Não há nela nenhum ponto de referência objetiva,
Apenas uma flecha lançada ao ar...
A esperar que o seu percurso se cumpra no ermo...
Porque,mesmo no vácuo,
O tempo cumprirá o seu propósito
E fará com que ela chegue a seu destino.
Sou um ponto de indagação
Em meio a uma brisa um tanto vaga e fria
Que tenta a todo custo impedir-me
De traçar meu próprio caminho solitário,
E interrogativo.

sábado, 13 de março de 2010


Almas

Alma idealista é aquela que confia
Que sempre haverá um melhor jeito...
Alma esperançosa é aquela que insiste em crer 
Que para tudo há um final feliz...
Alma com expectativa é aquela que espera
Que no final,tudo dê certo...
Alma emocionada é aquela que exprime,com lágrimas,
Aquilo que no coração ela sente...
Alma ingênua é aquela que pensa e entende
Que tudo vai ser diferente...
Alma sonhadora é aquela que prefere imaginar
Que tudo estará bem mais fácil,depois...
Alma apaixonada é aquela que se entusiasma em achar
Que tudo é melhor,se for a dois...
Alma realista é aquela que escolhe o pensamento de
Que nada é melhor que o final real...
Alma pessimista é aquela 
Que desiste de tudo,antes mesmo de tentar...
Alma com o coração em Deus
Espera,insiste,não desiste e se expressa,sentindo
Que Deus fará sempre o melhor!

quinta-feira, 11 de março de 2010


O Poema

Um poema como um gole dágua bebido no escuro.
Como um pobre animal palpitando ferido.
Como pequenina moeda de prata
                             para sempre perdida na floresta noturna.
Um poema sem outra angústia que sua misteriosa
                                               condição de poema.
Triste.
Solitário.
Único.
Ferido de mortal beleza.
Mario Quintana

O Mapa

Olho para o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
(É nem que fosse o meu corpo!)
Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...
Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)
Quando eu for,um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível,delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez do meu repouso....
Mario Quintana

Salmo 13: "Até Quando,Senhor?"
Esta é uma pergunta retórica,ou seja,já vem com a resposta.
Bem,o tempo de Deus é diferente do nosso tempo.
Deus é eterno,não tem início,nem fim. Seu tempo é kýrios,ou kairós(envolve plenitude de tempo, lugar,espaço e infinito)e o nosso é chronos(cronologia de tempo);nós contamos:segundos que passam,ou minutos que não chegam,meses que se foram,anos que não queremos lembrar,noites e dias que até preferiríamos,estivessem no esquecimento.
Deus conta o tempo em momentos. Ele preparou o momento do nascimento do Messias,Jesus,nosso Salvador,antes da fundação do mundo(Efésios,capítulo 1,verso 3,4 e 5). Jesus Cristo é citado pela Palavra de Deus como o "Cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo"(Apocalipse, cap.13,vers 8)e isto significa que o Senhor preparou seu nascimento antes de todas as outras coisas existirem,mas também que sua morte já estava predita.. Deus é surpreendente!
"Até quando?" É a pergunta do salmista Davi a Deus. A função do tempo é ganhar tempo...
"Até quando,Senhor?" Deus também poderia nos dizer "Até quando vocês continuarão agindo por seus próprios pensamentos e orientações,sem me consultar?" Ou,se nos perguntasse desta forma:"Até quando tu vais continuar agindo sem medir as consequências,até quando vais andar por teus próprios pensamentos?"
O versículo 1 diz assim:"Até quando,Senhor?Esquecer-te-ás de mim para sempre?" A resposta:Deus não esquece de nós,como fazemos com algumas pessoas." Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito,para que todo o que nele crê não pereça"(João capítulo 3,verso 16).
O versículo 1 também diz,na sua parte b:"Até quando ocultarás de mim o rosto?"...E a resposta está em Isaías,cap.59,verso 1:"Eis que a mão do Senhor não está encolhida,para que não possa salvar,nem surdo o seu ouvido,para não poder ouvir.Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus;e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós,para que não vos ouça."
No verso 2,o salmista diz:"Até quando estarei eu relutando dentro de minha alma,com tristeza a cada dia?"Isto mostra que somos nós os relutantes;nós relutamos em aceitar qualquer proposta de amor do Senhor,porque não compreendemos como pode ser tão fácil Ele nos amar tanto,apesar de nós,apesar de todos os nossos pecados e erros! A segunda parte do versículo:"Até quando se erguerá contra mim o meu inimigo?" A resposta:eu mesma! Minha carne resiste,sempre,em seguir ao que Deus me ensina!
A resposta para Davi "até quando?"está em um outro salmo,que ele mesmo também compôs,o salmo 40:"Esperei confiantemente pelo Senhor;ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro. "Deus sempre terá a iniciativa,e de mim sempre partirá a pergunta interrogativa!
Nós determinamos até onde e quando continuaremos resignados,moldados e acomodados com alguma situação difícil ao nosso redor. A iniciativa de mudança sempre virá do Senhor para mim.
Muitas vezes é mais fácil ficar perguntando a si mesmo e a Deus,sem pensar em como estamos ajudando em nosso próprio destino:o da estagnação!E,enquanto fazemos isso,o tempo continuará passando por nós,e as coisas não deixarão de acontecer,só porque eu me pergunto(e a Deus)até quando continuará! Devemos nos perguntar como nós mesmos estamos ajudando,ou atrapalhando nossa vida...
A pergunta certa a ser feita é:"Até quando vou permitir a mim mesma esta acomodação para com as circunstâncias difíceis? Até quando permitirei minha própria fraqueza diante desta ou daquela dificuldade?" Ou eu aceito o problema ou aceito que Jesus é a solução para o problema!
E então o Senhor dirá:
"Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim.No mundo,passais por aflições;mas tende bom ânimo;eu venci o mundo."(Evangelho de João,capítulo 16,verso 33).
Quem quer entrar para o rol dos vencedores?

domingo, 7 de março de 2010


Aquilo que se lê nas entrelinhas nem sempre é o que vai determinar preponderantemente uma ação completa,ou seja,uma atitude que vai direto ao ponto em que se precisa ir.
As entrelinhas são camufladas,e envoltas em um mistério mais aterrorizante do que aparentemente possa aparecer na superfície,pois tecem suas teias no profundo irrevelável das palavras não expressadas verbalmente,com o teor insólito daquilo que é o mais latente em nós...Dentro de nossa alma,as entrelinhas podem abrigar longos,intermináveis e maçantes diálogos feitos por nós,com frases e mais frases explicadas de nós para nós mesmos,em monólogos nos quais nos tornamos imunes a qualquer depreciação,ou crítica alheia que possa sintetizar os sentimentos e assim nos destruir (sem a interferência de outra pessoa podemos ser nós mesmos...será mesmo verdade?).
Quem não teme os prós e contras do outro? Pois aí está o escape oculto das entrelinhas: elas são um acessório indispensável para os argumentadores dos pretextos,conjecturas e objeções de quem se vê pressionado a ser verdadeiro consigo mesmo...
Para todo aquele a quem soar estranha a palavra "espontâneo",está a mão o uso das metáforas,dos eufemismos,analogias e afins...Dá para lançar mão de figuras de linguagem para fazer mais sentido,quando qualquer coisa que se diga parece não fazer sentido algum,entremear com paralelos,conjunções adversativas,somatizar e fazer uso irrestrito da diplomacia da escrita,que garante o êxito do intelecto(apesar de que muitas das vezes as palavras podem mais confundir do que nos esclarecer).
Retórica,retórica,retórica...Dizem que o segredo dela é sua repetição...
As entrelinhas,amigas inseparáveis das linhas oblíquas e semi-retas,nos dispõem suas alternativas quase que perfeitas...
Não fosse o princípio primeiro a latejar em nosso pensamento:que devemos nos utilizar de subterfúgios apenas e tão somente quando não há mais nada,absolutamente nada a ser feito.
Se for para dizer palavras sem sentido,melhor não dizê-las...Melhor engoli-las,como se engole uma dose de café amargo,naquela manhã em que você acordou atrasado para aquele compromisso mais do que importante,por ter esquecido de algo ainda mais importante que o próprio compromisso:colocar seu tempo para despertar seu relógio biológico antes da hora marcada.
Pior do que o café amargo são as palavras engolidas em um gole de absurda realidade,quando é preciso encontrar a coisa certa a se dizer e as frases de efeito se escondem em um lugar obscuro (dentro de nosso labirinto interior onde somente nós mesmos temos liberdade para nos escondermos)nos impedindo de irmos além das expressões verbais e fazendo com que pareçamos irracionalmente tácitos,desmesuradamente humanos e frágeis,ao olhar atônito de quem espera,ansiosamente,nossas respostas imediatas e objetivas...
Ironias à parte,sempre teremos como responder às inquietantes interrogações do outro,daquela pessoa que nos intriga,que nos desafia;mas talvez seria bem mais apropriado(ou conveniente)deixar uma incógnita como resposta.
Não é preciso dizer nada,se não há nada a ser dito,desde que o tempo corra a nosso favor...Do contrário,quando o tempo não parece,nem de longe,ser nosso aliado,teremos que fazer uma mea-culpa,para encontrarmos um meio(não meio-termo mas o meio que se encaminha para o fim de uma questão)de acharmos a saída para uma uma circunstância difícil de ser solucionada...
Pior do que nosso próprio tempo atrasado,ou o café mais amargo,ou o dia de compromisso que deu errado,ou as palavras engolidas de uma vez...São as sensações dissimuladas do cotidiano,quando parece que vai haver um sol radiante a se declarar,em um dia bonito,para nós...Mas o que vem é uma chuva torrencial a se derramar em nós como um banho de água fria..

quinta-feira, 4 de março de 2010


O que esperar,se o que se espera é tão longínquo quanto é uma procura ansiosa pelo outro,e em vão se espera, em um vácuo chamado coração?
E se o fato de me calar não faria a mínima diferença,quando cada compasso dentro em mim é um descompasso,e se falar,não diminuirá a intensidade do sentimento,que é muito mais profundo,e tão desproporcional quanto é o desequilíbrio emocional que,por vezes,arrebata o ser por completo,até trazê-lo de volta a si mesmo...
Sensações,emoções,sentimento...Para todas as vezes que o coração quiser gritar,haverá outro argumento convencional,velho conhecido de todos aqueles que são formais,anárquicos e transgressores na íntegra,mas mantendo-se firmes diante de seu individual espelho...
Invólucros : são a eles que se amoldam os menos ousados,os que contribuirão menos para que o amor aconteça,e ainda aplaudirão,de pé,toda forma inversa(avessa) de felicidade,e em cada resignação encontrarão seu próprio e eventual destino...
Não raro,esperamos as atitudes que desconcertem,descontraiam,enfim,quebrem todos os paradigmas e protocolos aparentemente inflexíveis;que alguém surja,em meio a multidão,e modifique nossas ideias,conceitos prontos,teorias: os elos que criamos, na maioria das vezes,simplesmente para impressionar o outro e nos fazer notar(e não adianta fazer cara de que não é verdade,porque é,sim!).
Nossas indagações permanecerão...
Os vínculos a nos prender uns aos outros desafiarão as leis da física,o cosmos,a teoria da evolução...Atravessarão tempos difíceis,ultrapassarão limites(imaginários)até mesmo dos dogmas impostos pelos homens...E,mesmo assim,não conseguirão vencer uma palavra quase pequena,mas muito forte,chamada distância...

É verdade: somos impulsionados pelas reações que a vida  tenta nos impôr,e assim,vivenciando emoções,acabamos muitas vezes encurralados pelas armadilhas cotidianas,tão surreais quanto a própria existência se mostra ser,ao nos apontar direções que não somente nos serão um escape,com também não nos trarão sossego nunca...
O homem é um ser fragilizado,vulnerável a partir das circunstâncias,mas tentando a todo custo parecer que não é...Mas,não seria muito menos complicado e complexo se as pessoas reconhecessem o quanto precisam da ajuda do outro?
"Médico,cura a ti mesmo",disseram p/ Jesus..."Salva-te a ti mesmo,se és filho de Deus,e desce da cruz; salvou os outros,a si mesmo não pode salvar..."(Mateus 27:40,42)

segunda-feira, 1 de março de 2010

"Portanto,vigiai,porque não sabeis em que dia vem o nosso Senhor. Mas considerai isto:se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão,vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa."
Mateus capítulo 24 e versículo 42,43

Acontecem coisas em nossa vida que muitas vezes nos deixam tristes,sem saber de que forma aconteceram,como começaram a acontecer,e porque aconteceram...Como não nos apercebemos?
Todo homem planeja ser feliz. Ninguém cresce pensando que quer sofrer,ser infeliz. Nossa vida,no entanto,pode tomar um rumo muito diferente do princípio que estabelecemos em nosso coração...Mas,será que Deus quis que as coisas fugissem(ou que fujam)ao nosso controle?
Aqui o versículo fala que,mesmo que não saibamos a que hora virá alguma circunstância,devemos vigiar,ou seja:estar de sobreaviso!
Romanos 8:36 e 37 diz assim :" Como está escrito:por amor de ti,somos entregues à morte o dia todo,fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas,porém,somos mais que vencedores,por meio daquele que nos amou."
O diabo cria situações para nos pôr à prova com Deus. Dia a dia ele diz aos seus demônios o quanto nos odeia,dia a dia lembra o quanto quer nos matar! Pois fomos feitos(criados)à imagem e semelhança de um Deus amoroso,que além de Deus,quer ser nosso pai,diariamente,para nos ensinar.
O cotidiano diário nos coloca em situações complexas para ver se estamos mesmo vigiando,se estamos fazendo o que deve ser feito...E é o que muitas vezes esquecemos.
Um vigia é alguém que está prestando atenção maior do que os demais,está atento à detalhes que talvez a maioria não perceba! Alguém que está de vigília é uma pessoa que,enquanto todos dormem,ela está de olhos bem abertos!
O salmo 39,em seus versos do 4 ao 7,nos leva a uma boa reflexão sobre isso...Devemos discernir a nossa própria fragilidade: nós,sem Deus não temos força alguma contra o mal,nem estamos imunes às trevas;mas há um Deus dentro de nós que estabeleceu um limite para a esfera de ação do nosso adversário. O diabo conhece este limite de ação:lembram de Jó?(I Pedro 5:8 e 9).
Existe um limite para o diabo: para que ele me derrube,primeiro tem de tocar em Jesus! A esfera de ação do diabo é externa e terrena,enquanto o que Deus me dá vai além,porque ultrapassa meus próprios limites humanos! Estou assentado com Cristo,Seu Filho,nos lugares celestiais!
Ninguém pode entrar em um edifício se o vigia estiver atento,cumprindo o seu papel de zelar pelo edifício.
Tu és templo do Espírito Santo,e Deus te dá essa responsabilidade: não permitir que um intruso(o diabo)invada tua vida para esculhambar com ela,e para que possas perceber através de Seu olhar de amor,o quanto Ele tem te guardado...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010


Muitas vezes na vida pensamos que já está tudo acertado...
Projetos,planos,sonhos na mala...
Bagagem feita,partimos rumo ao futuro,que, mesmo incerto,nos acena,como um convite acolhedor e irresistível do desconhecido,que nos é tão íntimo e próximo...
Muitas vezes na vida pensamos muito...Planejamos muito...Projetamos muito...Sonhamos muito...
Será que não estamos vivendo muito pouco?
Perguntas,respostas...Indagações da mente humana,interrogações do coração humano...
Será? Talvez? Quem sabe?Pode ser?
...E vamos vivendo...Através das perguntas,muitas delas sem respostas...
E mesmo que não encontremos explicação plausível,nos acostumamos a viver assim,sem a facilidade das respostas práticas,prontas para serem respondidas,se solicitadas;diferentemente das complexas que,absortas em si mesmas,esperam,suportando seu próprio vácuo. 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010


Palavras nem sempre prevalecem
De maneira agradável ao nosso coração
e aos nossos ouvidos
Nem sempre o que é para ser dito
é expressado,
nem sempre os sentimentos
são espontaneamente declarados
Há sempre uma urgência de atitudes
e de palavras ditas...
Mas muitas vezes encontra-se a paz
na quietude do silêncio...
Não é que ele necessite ser absoluto
ou um escape,
pois há situações na vida
em que o silêncio não é a melhor opção,
mas sim a única saída...

Certeza de tudo
Nunca ninguém tem sempre
O absurdo na vida acontece
Quando o acaso encontra o inusitado
Então o que era belo se torna fosco
Sombra longínqua de um passado remoto.
Torna-se a realidade fria e cruel
Uma ilusão tardia...
Fraca imagem de tudo o que se queria
E não se teve...
Convicção a gente tem na mente
Mas não há coração que resista tanto
Ou não tente transformar o real
Em uma verdade que não bata na gente
Existe alguma verdade que não bata na gente?
Que não nos faça sentir perversos
Que nos faça mentir ao coração
Sem sentir-se enganado por si mesmo?
Certeza de tudo
A gente pensa que tem sempre
Até que o inesperado fator destino
Que a gente não conhece,e pensa que sim
Nos faz encarar a própria incoerência...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010


Muitas vezes e,por um tempo demasiadamente longo,se promulgou a (falsa)ideia de que,através de alguns métodos bem pouco eficazes,conheceríamos(ou estaríamos na)a vontade de Deus para nós.
Por causa deste conceito errôneo,alguns adeptos do legalismo religioso formalizaram uma espécie de ritual sagrado,por meio do qual Deus se manifestaria,pressupondo assim: Deus como propriedade particular de uns,em detrimento de outros,que não se adaptaram a tal "metodologia".
Através dos séculos,a natureza humana tratou de intelectualizar o caráter de Deus,fazendo com que Ele parecesse distante,inflexível e,eu diria até,um tanto quanto inacessível. Os dogmas,as filosofias,liturgias,rituais e metodologias sem fim que o homem tentou  caracterizar como provenientes de uma vida com Deus,só fizeram afastar(ao invés de aproximar)o próprio homem de seu Criador,cujo caráter pessoal é: amor,verdade,e justiça,em essência.
Jamais,por meio,ou por causa de sua deidade,Deus enviou ou se serviu de alguma fórmula individual e exclusiva para aproximar-se de nós...O zelo e o carinho de Deus para conosco ultrapassam todo e qualquer artifício meramente humano,produzido por nossa mente intelectual e por nossos limitados conhecimentos.
O cuidado Dele para conosco é simples de ser compreendido: Deus enviou não um método ou meio para que tivessemos acesso a Si,mas sim o seu próprio Filho! Nos instruindo assim sobre o que requer de nós: que possamos tão somente nos entregar a Ele,em amor,como o fez por nós,ao nos oferecer seu Filho,Jesus Cristo,através do sacrifício na cruz.
Graças a Deus,pois através de sua soberania,sofismas tem ficado no passado,enquanto o Espírito Santo tem encontrado espaço em corações abertos,desprovidos de intelectualismos inúteis e que,por isso,podem desfrutar de uma comunhão ainda mais íntima e pessoal com o Senhor,sem a interferência da chamada religião.

Poesia dedicada a todos aqueles que fazem de suas palavras uma arte singular e própria,tornando-se,então,um artista das palavras(sejam elas musicadas,escritas ou faladas...)


Poetizar sobre o que os outros chamam de dificuldade(a vida)
Não é assim fácil como aparenta ser,não.
Pois o poeta é alguém no meio da multidão contrariada
Com uma folha em branco e uma caneta Bic
Muitas vezes,em lugar do próprio coração...
O poeta é alguém que descobre uma oportunidade,sempre
No meio das adversidades e dos dilemas
E,quando muitos pensariam em fugir,ou esconder-se
Dos problemas ou da polêmica
Lá está o poeta,sem fazer ou causar celeuma
Apesar de ter a faca e o queijo na mão...
Circunstâncias não podem fazer o momento
Mas o sofrimento causa a situação
Por isso,o poeta é um descobridor:
A colocar,em relevo,nossas mais secretas emoções!
Onde  outros conseguem perceber somente o "todo"
O poeta consegue discernir e expressar os detalhes
E em cada nova nuance
Ou em toda a decisão tomada
Consegue captar um pedacinho sutil de felicidade
Onde todos os outros não conseguem encontrar nada!
Onde todos sempre verão apenas fracassos e derrotas
O poeta encontrará,ainda,muitas outras possibilidades...